Na minha sincera opinião acho que o FMI já devia ter vindo a Portugal colocar alguma ordem nesta barafunda!
Digo isto porque ao ver os joguinhos entre PS e PSD chego à conclusão que o país cada vez mais está a “enterrar-se” e a aproxima-se perigosamente do fundo do poço!
Quando é que o Sr. Primeiro-Ministro vai deixar de pensar que é o dono da verdade, de ser arrogante e vai ter a humildade de pedir ajuda para o problema que estamos a enfrentar?! Porque é do que se trata…Pedir ajuda! E isso não tem que nos envergonhar. Eu pelo menos não me sentiria envergonhado por pedir ajuda ao FMI e penso que os portugueses também não se deveriam sentir envergonhados com essa possibilidade.
Há quem diga: “pedir ajuda ao FMI é o mesmo que dizer que não conseguimos resolver os nossos problemas”. Não concordo. A verdade é que fomos descuidados, ou melhor, os sucessivos governos é que não tomaram a devida atenção às contas públicas. Talvez ainda acreditando que D. Sebastião iria regressar de Alcácer-Quibir com umas toneladas de um tesouro qualquer!
Ainda há quem acredite que pedindo ajuda ao FMI é este que vem governar o país. Nada de mais errado. Para começar, e contextualizando, o FMI não intervém por iniciativa própria. O governo é que tem de elaborar uma “carta de intenções” onde explica o que se propõe fazer em contrapartida do financiamento obtido. Após o FMI analisar a proposta irá negociar com o governo as medidas que acha serem as adequadas para resolver o problema e sem as quais não haverá empréstimo. Depois de a “carta de intenções” ser assinada, o FMI envia uma equipa de peritos para supervisionar o cumprimento das medidas acordadas.
Para reforçar uma ideia anterior, eu acredito que temos bons técnicos no nosso país, mas nenhum deles tem a experiência que os técnicos do FMI têm em matéria de crise e de redução da dívida pública. E mais do que isso, o FMI não teria problema em tomar medidas impopulares e que mexessem com os interesses instalados, ao contrário do governo, que não tem coragem para o fazer com receio de perder votos e apoios. Dando um exemplo, como é possível termos cerca de 14.000 institutos públicos onde estão colocados muitos dos “amiguinhos” dos dois maiores partidos portugueses?!
Também há quem diga que as medidas que o FMI propõe são muito duras! Sim, é verdade. Basta recordar as duas anteriores intervenções do FMI no nosso país, em que as medidas adoptadas foram violentas e os portugueses sentiram dificuldades no dia-a-dia. Mas também é verdade que a economia recuperou rapidamente e até conseguimos, na segunda vez (em 1983) alcançar mais do que os objectivos definidos.
E agora eu pergunto: é preferível enfrentarmos as medidas duras de uma só vez e estarmos alguns anos, quem sabe alguns meses, a passar por dificuldades; ou, por outro lado, estas medidas irem sendo tomadas a “conta-gotas” e ficarmos em dificuldades por algumas décadas? É que continuando pelo caminho que vamos é assim que será, isto é, estamos a ir de PEC em PEC até à “destruição final”!
É bem verdade que o FMI pode ter os seus interesses económicos e financeiros, mas também é verdade que um acordo com o FMI traria vantagens externas, dando confiança aos mercados externos sobre a economia portuguesa e fazendo com quem os juros da dívida baixassem. Mais uma vantagem!
Para terminar, e adaptando o título “Orgulhosamente sós na saída da crise” de um artigo publicado no JN do passado dia 28 de Novembro, alterá-lo-ia para “Estupidamente sós na tentativa de saída da crise”. Porque é o que está a acontecer…Uma tentativa infrutífera de pôr termo a esta crise!
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