Eu nasci na
fabulosa cidade do Porto. E sempre vivi numa das cidades que faz fronteira com
esta cidade. Por isso mesmo, vivo muito de perto o que se passa nesta cidade. A
cidade do Porto está recheada de pessoas com garra, que vivem intensamente a
sua terra e que sabem bem receber quem os visita.
Como a
maioria da sua população é adepta do clube de futebol conhecido como FCP, essas
pessoas pensam que eu tenho um “problema”: ser adepto do SLB!
Ora, na mente
de muitas pessoas, não faz sentido que alguém que nasceu e sempre viveu na
cidade do Porto (ou seus arredores), seja de outro clube que não o FCP.
Isto sucede
porque existe a tendência de confundir a cidade do Porto com o clube de futebol
conhecido como Porto ou com outra organização que tenha a sua sede na cidade do
Porto. Mas a verdade é que a cidade já existia muito antes do aparecimento
destas organizações! Estas organizações nasceram na cidade; a cidade não nasceu
destas organizações! Portanto, não se confunda uma coisa com a outra.
Por exemplo,
se se constituísse uma organização na cidade do Porto que tivesse como
objectivo a restituição da escravatura, esta teria o apoio da maioria dos
portuenses? Não me parece! E sendo assim, não teria essa maioria um “problema”?
É que seguindo a lógica do raciocínio das pessoas que mencionei acima, as
pessoas que não apoiam as organizações da sua cidade têm um “problema”! Mas o
que sou eu?!? Esta é apenas a minha perspectiva das coisas.
De uma coisa
não me podem acusar: de não adorar a cidade do Porto. É uma cidade bela, cheia
de encantos e da qual sinto saudades sempre que dela me tenho que ausentar.
Posso não simpatizar com uma ou outra organização da cidade, posso não
simpatizar com alguma situação que se passe na cidade, mas simpatizo (e tenho
no coração!) a cidade do Porto.
Se a cidade
do Porto, numa situação extrema, tivesse que ser mesmo defendida, de duas
coisas tenho a certeza! Primeira: muitas das pessoas que dizem “quem nasce no
Porto só pode apoiar as organizações que fazem parte da cidade”, seriam as
primeiras a colocar o “rabinho entre as pernas” e a “abandonar o barco”.
Segunda: muitas das pessoas que, tal como eu, não apoiam certas organizações da
cidade, seriam as primeiras a sair em sua defesa e a “dar o peito às balas”!
Depois,
existe o facto de não ter sido eu a escolher ser adepto do Benfica; foi o
Benfica que me escolheu para seu adepto. Por isso, àqueles meus amigos e
conhecidos que já me propuseram a mudança de clube, só lhes digo o seguinte:
isso não é possível! Pertenço ao Benfica! E ao Benfica pertencerei!
Pior que ter
que levar com estes constantes assédios para a mudança de clube e com os
festejos das vitórias do FCP e das derrotas do SLB, é ter que levar com a azia
das derrotas do FCP e das vitórias do SLB. Mas nós, Benfiquistas que nascem e
vivem na cidade do Porto, já nascemos com os anticorpos necessários para lidar
com estas situações.
Isto de se
ser adepto não é uma questão racional, é uma questão emocional. Se fosse uma
questão racional andávamos sempre a mudar a nossa preferência clubística
conforme a equipa que vencesse. Mas como é uma questão emocional, tal como
outras questões da vida, tem a ver com a vivência de momentos; momentos de
alegria, tristeza, admiração, decepção, júbilo, sofrimento, etc. E eu,
felizmente, posso dizer que já vivenciei isto e muito mais conjuntamente com o
Benfica.
Para
concluir, e em jeito de resumo, ser Benfiquista na cidade do Porto não é fácil,
mas é possível – se existir bom senso e respeito mútuo!
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