domingo, 16 de setembro de 2012

Ser Benfiquista na Cidade do Porto



Eu nasci na fabulosa cidade do Porto. E sempre vivi numa das cidades que faz fronteira com esta cidade. Por isso mesmo, vivo muito de perto o que se passa nesta cidade. A cidade do Porto está recheada de pessoas com garra, que vivem intensamente a sua terra e que sabem bem receber quem os visita.

Como a maioria da sua população é adepta do clube de futebol conhecido como FCP, essas pessoas pensam que eu tenho um “problema”: ser adepto do SLB!

Ora, na mente de muitas pessoas, não faz sentido que alguém que nasceu e sempre viveu na cidade do Porto (ou seus arredores), seja de outro clube que não o FCP.

Isto sucede porque existe a tendência de confundir a cidade do Porto com o clube de futebol conhecido como Porto ou com outra organização que tenha a sua sede na cidade do Porto. Mas a verdade é que a cidade já existia muito antes do aparecimento destas organizações! Estas organizações nasceram na cidade; a cidade não nasceu destas organizações! Portanto, não se confunda uma coisa com a outra.

Por exemplo, se se constituísse uma organização na cidade do Porto que tivesse como objectivo a restituição da escravatura, esta teria o apoio da maioria dos portuenses? Não me parece! E sendo assim, não teria essa maioria um “problema”? É que seguindo a lógica do raciocínio das pessoas que mencionei acima, as pessoas que não apoiam as organizações da sua cidade têm um “problema”! Mas o que sou eu?!? Esta é apenas a minha perspectiva das coisas.

De uma coisa não me podem acusar: de não adorar a cidade do Porto. É uma cidade bela, cheia de encantos e da qual sinto saudades sempre que dela me tenho que ausentar. Posso não simpatizar com uma ou outra organização da cidade, posso não simpatizar com alguma situação que se passe na cidade, mas simpatizo (e tenho no coração!) a cidade do Porto.

Se a cidade do Porto, numa situação extrema, tivesse que ser mesmo defendida, de duas coisas tenho a certeza! Primeira: muitas das pessoas que dizem “quem nasce no Porto só pode apoiar as organizações que fazem parte da cidade”, seriam as primeiras a colocar o “rabinho entre as pernas” e a “abandonar o barco”. Segunda: muitas das pessoas que, tal como eu, não apoiam certas organizações da cidade, seriam as primeiras a sair em sua defesa e a “dar o peito às balas”!

Depois, existe o facto de não ter sido eu a escolher ser adepto do Benfica; foi o Benfica que me escolheu para seu adepto. Por isso, àqueles meus amigos e conhecidos que já me propuseram a mudança de clube, só lhes digo o seguinte: isso não é possível! Pertenço ao Benfica! E ao Benfica pertencerei!

Pior que ter que levar com estes constantes assédios para a mudança de clube e com os festejos das vitórias do FCP e das derrotas do SLB, é ter que levar com a azia das derrotas do FCP e das vitórias do SLB. Mas nós, Benfiquistas que nascem e vivem na cidade do Porto, já nascemos com os anticorpos necessários para lidar com estas situações.

Isto de se ser adepto não é uma questão racional, é uma questão emocional. Se fosse uma questão racional andávamos sempre a mudar a nossa preferência clubística conforme a equipa que vencesse. Mas como é uma questão emocional, tal como outras questões da vida, tem a ver com a vivência de momentos; momentos de alegria, tristeza, admiração, decepção, júbilo, sofrimento, etc. E eu, felizmente, posso dizer que já vivenciei isto e muito mais conjuntamente com o Benfica.

Para concluir, e em jeito de resumo, ser Benfiquista na cidade do Porto não é fácil, mas é possível – se existir bom senso e respeito mútuo!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Festejos por um derrame de sangue!


Sabem aqueles senhores (e senhoras) que andam porta-a-porta a anunciar a chegada do apocalipse – e a tentar angariar mais elementos que contribuam (financeiramente!) para o ser “rebanho”?!
Eu não sou nada religioso, mas terão eles razão quando dizem que a Humanidade está perdida?! Infelizmente, cada vez mais concordo com isso!
E digo isto porque assisti com (não muita, mas alguma) admiração aos comentários e festejos que se fizeram após a (suposta!) morte de Osama Bin Laden.
Quem é que no seu perfeito juízo pode ficar sequer contente com um derrame de sangue?!
Sei que irão dizer que ele é responsável pela morte de milhões de inocentes! Que pessoas como ele não se podem considerar “gente”! Mas, quer se queira quer não se queira, ainda continua a ser um ser humano!
Se fiquei triste pela sua morte? Não! Mas também não fiquei feliz.
Chamaram-lhe extremista…E eu concordo totalmente!
Mas um extremista não é só aquele que é partidário do extremismo, também o é quem não admite meios-termos. E neste segundo caso enquadram-se todos aqueles que rejubilaram ao saber da morte de Osama Bin Laden.
Porque o mundo não é só a preto e branco…Existem igualmente alguns tons de cinzento. E é preciso lembrarmo-nos disso…Para o bem da Humanidade.

Liderança Exige-se


Estava eu, um dia destes, a ler o livro O Anjo Branco de José Rodrigues dos Santos quando me deparei com a seguinte expressão: “Este país não se endireita se não houver pessoas que dêem o exemplo. A liderança exerce-se dando o exemplo.”.
E no contexto actual em que o nosso país se encontra não poderia concordar mais com tais palavras.
Se, por um lado, quem está no poder tem o direito de pedir que todos os portugueses tenham paciência com a actual situação e que contribuam para que se saia desta crise; por outro lado, não terão os cidadãos direito de pedir a mesma contenção por parte de quem está no poder?
Até sou da opinião que todo e qualquer cidadão deverá, na medida do possível, contribuir para que o país ultrapasse esta crise contínua. E não estou a falar só em termos monetários, mas também com ideias, ou qualquer outro contributo, que possa ajudar o país.
Mas também penso que quem está no poder tem que ter a mesma atitude, em vez de pensar apenas nos da sua classe! Evocando outra frase, desta feita do filme Homem-Aranha, “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.
E é por isso que quem governa este país deveria estar a governá-lo para o interesse de todos os cidadãos portugueses e não apenas para o de alguns. Não existem cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª. Somos todos portugueses, e a todos deverá ser pedida a sua contribuição!
Por isso, eu EXIJO que quem está no poder dê o exemplo, em vez de pedir aos cidadãos que sejam apenas eles a fazê-lo!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Votar: Direito ou Dever?!


Será o acto de votar apenas um direito consagrado aos cidadãos de um país? Na minha opinião a resposta a esta pergunta é um claro NÃO!
Votar é muito mais que um direito; é um dever de todos os cidadãos para com o seu país!
Fico sempre desapontado e desolado quando verifico as taxas de abstenção em actos eleitorais no nosso país. Porque para mim é difícil perceber como é que há tanta gente a não querer saber do destino do seu país. E digo isto porque considero que uma pessoa que não vai exercer este direito que possui é porque não está interessado em que mãos está o futuro do país, o seu próprio futuro.
Até compreendo que essas pessoas não estejam satisfeitas com os políticos e respectivos partidos que existem no país. Mas para isso há a possibilidade de votar “em branco”, ou seja, não escolher nenhum dos candidatos. Quando entendo que nenhum dos candidatos tem, segundo a minha opinião, as capacidades/competências para o lugar em questão, voto em branco. Mas vou votar, não deixo de o fazer!
E votar “em branco” ou não ir votar não é a mesma coisa?! Pois está claro que não! Para além das razões apontadas anteriormente, há “uma” razão para se ir votar e que infelizmente a maioria das pessoas se esquece: aquela que tem a ver com o modo de como o direito de votar foi conquistado pelos nossos antepassados, não muito longínquos.
É que só após o 25 de Abril de 1974 e com a Constituição Portuguesa de 1976 é que o voto se tornou verdadeiramente universal, ou seja, todos os cidadãos maiores de 18 anos adquiriram o direito a votar. Até então o direito de voto dependia ora do grau de instrução, ora dos rendimentos, ora do género dos cidadãos.
Por isso, é necessário explicar aos jovens – e relembrá-lo aos “menos jovens” – a evolução do direito de voto em Portugal, para que entendam que já houve cidadãos que gostariam de ter uma palavra a dizer em relação ao futuro do país, mas que não o puderam fazer porque não estavam autorizados a votar.
Existem países em que o voto é obrigatório, existindo sanções para quem não for votar. Mas penso que esse não é o caminho a seguir, porque se assim fosse haveria quem votasse ao acaso, sem opinião devidamente formada. O que é preciso é consciencializar os cidadãos de que o voto é um dever cívico e de cidadania e da sua importância para o destino do país.
Para terminar só gostaria de (re)lembrar que o voto, em democracia, é uma importante “arma” para sancionar as políticas e os governantes, e assim contribuir para a mudança!